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Desde o século XX, filósofos como Heidegger, Jonas,
Ortega y Gasset, Habermas, Marcuse, dedicaram
parte de suas reflexões à questão da técnica

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• Beth Faustina

em Psicologia pela PUC- MG, é mestre em Filosofia
pela Universidade Federal de Minas Gerais (1999) e
doutora em Filosofia pela Universidade Federal de
Minas Gerais (2009). Nesta interessante entrevista,
ela aborda os atuais estudos sobre Jonas, comenta
sobre a legislação vigente e aponta as ideias do filósofo, que postula que só conseguiremos nos
manter na Terra se um dia aprendermos aliar a Tecnologia à responsabilidade.
Filosofia • A Filosofia hoje está contribuindo para
a reflexão sobre os avanços tecnológicos? Como
isso se dá? E como deveria ser o caminho para
que essa reflexão fosse mais profunda e aplicada?
Godoy • Sem dúvida alguma. Desde o século XX,
inúmeros filósofos como Heidegger, Jonas, Ortega
y Gasset, Habermas, Marcuse, dentre outros, dedicaram parte de suas reflexões à questão da técnica
e da Tecnologia em geral e, entre eles, Jonas e também Habermas à da Biotecnologia, em particular.
Atualmente, pensadores como o norte-americano
Andrew Feenberg, o argentino Mario Bunge, o belga Gilbert Hottois e outros têm se empenhado em
elaborar uma Filosofia da Tecnologia. Tantos outros
como o filósofo romeno-australiano Julian Savulescu
e os norte-americanos Michael J. Sandel, Allen Buchanan, Dan W. Brock, Norman Daniels, Daniel Wikler, para citar apenas alguns, entre outras coisas se
dedicam à reflexão, em diferentes perspectivas, sobre as consequências do uso das biotecnologias em
seres humanos. Nesse sentido, a reflexão que está
em curso já é tanto profunda quanto aplicada. O
que talvez falte é uma divulgação mais ampla (extra-acadêmica) do que está sendo produzido, no âmbito filosófico, sobre a questão. Mas, é preciso dizer,
há um grupo de pesquisadores brasileiros formado,
sobretudo por filósofos da UFMG e da USP, que
vem promovendo inúmeras atividades nacionais e
internacionais para discutir, da forma mais abrangente (interdisciplinar) possível, todos os aspectos
relativos à Tecnologia e à Biotecnologia.

Filosofia • Na sua tese de doutorado intitulada
“Hans Jonas e a responsabilidade do homem
frente ao desafio biotecnológico” você apresenta a importância do pensamento de Jonas para a
contemporaneidade. Poderia apresentar as principais bases do pensamento desse filósofo?
Godoy • Hans Jonas, que viveu entre 1903 e
1993, é um filósofo alemão de ascendência judia
que foi aluno de Edmund Husserl, Martin Heidegger e Rudolf Bultmann. Logo, sua formação acadêmica foi fortemente marcada, respectivamente,
pela Fenomenologia, pela analítica existencial e
pelo interesse pela gnose. Isso explica a primeira
fase de sua produção intelectual. Porém, com a
ascensão do partido nacional socialista, ele abandona seu país, rompe (política e filosoficamente)
com Heidegger e promete só retomar à Alemanha
para lutar contra o exército de Adolf Hitler, o que
efetivamente ele cumprirá. Mas, como soldado,
a proximidade com a morte leva-o a questionar
toda a sua formação e indagar o que tais concepções poderiam ajudar diante das questões cruciais
da vida. É aí que ele começa a se voltar para as
questões da vida, propriamente ditas, o que vai
resultar na proposta de sua “Filosofia da Biologia”
ou “Biologia filosófica”, que é um modo bastante
peculiar de dialogar com várias concepções oferecidas pela Biologia, desde Charles Darwin. Nesse
período, são produzidos vários textos, publicados num volume intitulado O fenômeno vida (em
português traduzido como Princípio Vida). Depois
dessa fase, tem início um período em que ele se
ocupa da reflexão sobre a técnica, que vai culminar com a reflexão ética sobre a nossa “civilização
tecnológica”, cujo resultado é sua obra mais importante: O princípio responsabilidade.
Filosofia • Uma vida autêntica e genuína seria
aquela que enfrenta as condições existenciais sem
se lançar de subterfúgios. Nos dias de hoje, é muito difícil imaginar que isso seria possível, já que,
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