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MAR2017 .pdf



Nom original: MAR2017.pdf
Auteur: GABRIEL

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Laboratorio de Investigaçao
em Bioquímica e Fisiologia do
Exercício
Informativo / Ano III/ Numero 2 / Março de 2017

V

OCÊ FICA TRISTE PORQUE CHORA OU CHORA PORQUE FICA
TRISTE ?
Emoções são constituídas por manifestações fisiológicas,
comportamentais e cognitivas em resposta à estímulos percebidos.
Mas o que vem primeiro ? A emoção ou a resposta fisiológica ?

R

ABDOMIÓLISE INDUZIDA POR ESFORÇO: EXERCÍCIO FÍSICO
PODE PROVOCAR FALÊNCIA RENAL AGUDA ?
Apresentamos um reflexão sobre a possibilidade do desenvolvimento
de Rabdomiólise com a prática de exercícios físicos extenuantes.

A

tividades do Laboratório
Conheça as atividades que estão sendo desenvolvidas pelo Laboratório de Investigação em
Bioquímica e Fisiologia do Exercício.
Nesta ediçao
VOCÊ FICA TRISTE PORQUE CHORA OU CHORA PORQUE FICA TRISTE ?...........................................................................2
FAZER EXERCÍCIO FÍSICO ESTRESSADO AUMENTA O RISCO DE ACIDENTES VASCULARES................................................6

RABDOMIÓLISE INDUZIDA POR ESFORÇO: EXERCÍCIO FÍSICO PODE PROVOCAR FALÊNCIA RENAL AGUDA ?................10
SE EXERCITAR APENAS UMA VEZ POR SEMANA É SUFICIENTE PARA REDUZIR O RISCO DE MORTE…………………………….14
RESVERATROL DO VINHO TEM PROPRIEDADES BENÉFICAS A SAÚDE HUMANA E PODE MELHORAR O RENDIMENTO
FÍSICO ?............................................................................................................................................................................17
AS INFORMAÇÕES ACERCA DA ATIVIDADE FÍSICA REALIZADA PODEM ATRAPALHAR O SUCESSO DE PROGRAMAS DE
PERDA DE PESO: É MELHOR NÃO SABER?.......................................................................................................................21
OBESO METABÓLICAMENTE SAUDÁVEL EXISTE ?...........................................................................................................23
PRA QUE SERVE?.............................................................................................................................................................26
ATIVIDADES DO LABORATÓRIO………………………………………………………………………………………………………………………………….27

VOCÊ FICA TRISTE PORQUE CHORA OU CHORA PORQUE FICA TRISTE ?
Por Roger de Moraes
Emoções são constituídas por manifestações
fisiológicas, comportamentais e cognitivas em
resposta a estímulos percebidos. Mas o que vem
primeiro ? A emoção ou a resposta fisiológica ?
Apesar do senso comum acreditar que
expressamos fisiologicamente as emoções
percebidas, já foi proposto que o sentimento
emotivo sucederia as respostas fisiológicas e que
estas seriam expressas em função da nossa
percepção a determinados estímulos. Neste
sentido, sentiríamos tristeza por chorar ou raiva
por agredir e não ao contrário como
intuitivamente se imagina. Tais proposições
foram pioneiramente elaboradas por James e
Lange entre 1884 e 1885 e representaram uma das
primeiras teorias propostas pela psicologia
moderna para explicar as emoções humanas.
Conforme proposto, a premissa básica desta teoria
é de que a excitação fisiológica instigaria a
experiência da emoção. Assim, ao invés de
sentirmos a emoção e subsequentemente
manifestarmos
as
respostas
fisiológicas
apropriadas, as alterações fisiológicas ocorreriam
antes, e influenciariam a percepção emocional.
Cerca de 12 anos antes, como resultado de 34

2

anos
de
trabalho
de
observação
do
comportamento de diferentes organismos sociais,
Charles Darwin publicava um livro intitulado “A
Expressão das Emoções nos Homens e nos
Animais”. Através da análise de fotos, Darwin
concluiu que as emoções dos animais seriam
homólogas a de seres humanos, e que nestes
últimos se manifestariam de forma similar
incluindo em todas as culturas, as emoções de
raiva, medo, alegria, surpresa e tristeza.
As proposições de James e Lange seguiram a
linha de raciocínio darwiniana e indicavam que as
emoções seriam nada mais do que experiências de
um conjunto de modificações fisiológicas que
ocorreriam em face a determinado estímulo.
Assim, se encontramos uma cobra em meio a uma
caminhada na Floresta da Tijuca, não ficamos
com medo e depois fugimos. Na realidade,
fugimos imediatamente após a percepção da cobra
sendo a nossa experiência decorrendo das
modificações fisiológicas provocadas pela
corrida, as responsáveis pela emoção de medo.
Esta teoria foi duramente contestada já em 1920
por Cannon e Bard que, além de acreditarem que
o processo proposto por James-Lange seria lento

demais para expressar emoções, diziam ser
improvável que as mesmas respostas
fisiológicas
produzissem
emoções
diferentes. As criticas de Cannon a teoria de
James-Lange se iniciaram depois que ele,
na companhia de Bard, provocaram lesões
no cérebro de gatos que, uma vez
decorticalizados, direcionavam ataques
inapropriados de raiva. Para eles, se as
emoções fossem resultado da percepção das
modificações fisiológicas, então elas seriam
inteiramente dependentes da integridade do
córtex sensório-motor algo que não existia
nestes experimentos. Assim, a dupla sugeriu
que o hipotálamo seria a região do cérebro
envolvida no controle das respostas
emocionais e que em seres humanos, esta
região poderia ser inibida por áreas do
neocórtex.
Apesar disso, estudos mais recentes
colocaram em dúvida as teses defendidas
por Cannon, indicando que James-Lange
estariam mais próximos da compreensão de
como as emoções se manifestam em seres
humanos. Neste sentido, já foi evidenciado
que as respostas emocionais podem ser
distinguidas com base na atividade
autonômica e que as emoções são realmente
menos intensas quando o cérebro é
desconectado das vísceras. Além disso,
manipulações artificiais com a atividade dos
órgãos através de hormônios podem
provocar emoções e de fato, a infusão
intravenosa de colecistoquinina (um
peptídeo gastro-intestinal), pode produzir
ataques de pânico. Neste contexto, na
atualidade,
a
maior
parte
dos
neurocientistas
endossa
uma
visão
modificada da Teoria de James-Lange
aonde o feed-back somático modularia a
experiência das emoções.
Em 1937, James Papez propôs um circuito
neural para o controle das emoções.
Segundo ele, o estimulo sensorial recebido
pelo tálamo divergiria em rotas ascendentes
para percepção consciente do fenômeno, ou

descendentes para manifestação emotiva
desse mesmo fenômeno. Assim, a rota
ascendente seria a retransmissão do tálamo
para o córtex sensorial, especialmente para
a região cingulada e, através desse caminho,
as sensações seriam transformadas em
percepções e armazenadas na memória.
Papez propôs que do córtex cingulado, esta
rota se encaminharia para o hipocampo e,
através do fórnix, para os corpos mamilares
do hipotálamo e de volta para o tálamo
anterior via trato mamilo-talâmico. A rota
descendente por sua vez, seria transmitida
do tálamo diretamente para os corpos
mamilares possibilitando a geração das
emoções e, através de conexões com
núcleos motores autonômicos do tronco
cerebral,
determinariam
as
devidas
respostas fisiológicas. De acordo com
Papez, as experiências emocionais seriam
decorrentes da atividade no córtex
cingulado já que esta região também
poderia influenciar o hipotálamo.
Um modelo mais amplo de regiões
cerebrais foi proposto em 1949 por Paul
MacLean que elaborou sua teoria com base
nos estudos de Cannon-Bard e no circuito
proposto por Papez, integrando igualmente
ideias do trabalho desenvolvido por Kluver
e Bucy que, em 1939, demonstraram que a
remoção bilateral dos lobos temporais de
macacos, provocavam síndrome que incluía
perda da atividade emocional, aumento do
comportamento exploratório e tendência de
examinar objetos com a boca, além de
hipersexualidade e hábitos alimentares
anormais que incluíam a cropofagia (comer
fezes).
Diante disso, McLean, convencido da
importância do lobo temporal no controle
das emoções, elaborou a teoria do cérebro
triuno aonde uma parte primitiva seria o
resquício
evolucionário
do
cérebro
reptiliano (complexo estriatal e gânglios da
base) e responsável por emoções como
medo e agressão. A segunda parte seria o

3

resquício do antigo cérebro de mamíferos
que conservava emoções de medo e
agressão porém integradas com emoções
sociais. Esta região também incluiria várias
áreas do circuito de Papez, como o tálamo,
hipotálamo, hipocampo e córtex cingulado
juntamente com as importantes estruturas
da amigdala e córtex pré-frontal.
Finalmente, o “novo” córtex mamífero seria
representado pelo neocórtex, que integraria
as emoções com a cognição, exercendo
controle de cima para baixo sobre as
respostas emocionais produzidas pelos
outros sistemas. Neste sentido, a ideia
principalmente proposta pelo autor, seria de
que experiências emotivas envolveriam a
integração de sensações provenientes do
mundo com as informações advindas do
corpo.
MacLean propunha nesse sentido, que os
eventos externos (estímulos), promoveriam
modificações corporais que por sua vez,
através
de
neurônios
sensoriais
provenientes das vísceras e músculos,
seriam capazes de retornar ao cérebro
(especificamente no hipocampo) e, ao
serem integradas com a percepção cognitiva
do mundo externo, possibilitar a formação
da emoção. Esta teoria deu origem a
terminologia do sistema límbico. Como o
hipocampo foi posteriormente definido
como um centro de armazenamento das
memórias de longo prazo, outras regiões
foram envolvidas na participação da vida
emotiva do animal e incluem o cérebro
reptiliano e as estruturas límbicas da
amigdala, hipotálamo, córtex cingulado e
pré-frontal.
Em 1962, Stanley Schachter e Jerome E.
Singer, propuseram a teoria das emoções
baseadas em dois fatores: na excitação
simpática e na rotulação cognitiva, algo
muito próximo do proposto por JamesLange quase 80 anos antes. Schachter e
Singer indicavam que as respostas
fisiológicas produzidas por um determinado
estímulo,
precisariam
ser
rotuladas
cognitivamente á fim de encontrar a razão

pela qual estaríamos experimentando a
excitação. Alguns anos depois, Richard
Lazarus ajustou a teoria de SchachterSinger sugerindo que a experiência da
emoção dependeria do tratamento cognitivo
recebido, sendo o rótulo dado, inteiramente
dependente das experiências passadas do
indivíduo e da cultura na qual ele se
encontra inserido.
Em resumo, para James-Lange, quando
seguramos um gato peludo, as sensações
percebidas pelo contato com o animal,
provocariam respostas fisiológicas que
seriam cognitivamente interpretadas como
alegria. Para Lazarus, isso só aconteceria se
minha experiências prévias com animal
tiverem sido positivas. Caso contrário, a
interpretação cognitiva ao segura-lo seria de
medo. Tais considerações, solucionam boa
parte dos questionamentos de Cannon-Bard
e frequentemente são confirmadas em
estudos comportamentais com seres
humanos.
Nesse contexto, em 1962 Schachter-Singer
realizaram famoso experimento aonde
administraram adrenalina nos voluntários
sem que os mesmos tivessem conhecimento
do procedimento realizado, orientando-os
em seguida, para que aguardassem em uma
sala de espera, a entrevista de seleção para
voluntários o estudo. Na realidade, os
indivíduos já se encontravam na condição
de voluntários e participando do estudo,
mas não sabiam. Nesta sala de espera, um
pesquisador da equipe, entrava disfarçado
de voluntário e se comportava muito
eufórico ou muito irritado com os
procedimentos do estudo.
Os resultados demonstraram que os
voluntários que estiveram em contato com
os pesquisadores que simulavam estado de
euforia, manifestavam a mesma euforia,
enquanto aqueles em contato com
pesquisadores
irritados,
também
se
comportavam de forma irritada e agressiva
com os procedimentos do estudo, indicando
que a adrenalina possuía na realidade, um
efeito modulador nas emoções, que por sua

4

vez seriam rotuladas como alegria ou raiva,
de acordo com a percepção cognitiva dos
acontecimentos
que
estavam
sendo
influenciadas pelos pesquisadores. O estudo
também incluiu grupos de voluntários que
receberam placebo e as manifestações
comportamentais observadas no grupo
anterior não puderam ser reproduzidas.
Finalmente, um outro grupo tinha ciência de
que havia recebido adrenalina e alegou
sentir os efeitos colaterais da substância,
saindo do estudo antes do seu término.
Cumpre salientar, que experimentos deste
tipo seriam reprovados pelos comitês de
ética que regulam os estudos com animais e
seres humanos e portanto, não podem mais
ser realizados.
Entretanto, situações semelhantes podem
ser cotidianamente reproduzidas quando
observamos discussões calorosas entre
casais. Mesmo que as desavenças sejam
racionalmente solucionadas, em geral, pelo
fato das mulheres demorarem mais tempo
para normalizar os efeitos da ativação
simpático-adrenérgica, é possível que outra
discussão ocorra em seguida, mas desta vez,
por algum outro motivo qualquer fora do
contexto original. Neste caso, o indivíduo,
em estado de excitação fisiológica, procura
alguma explicação cognitiva para aquela
sensação, podendo desta maneira, recordar
situações ou eventos desconexos apenas
para dar uma interpretação as sensações
ainda experimentadas.
Sim. As respostas fisiológicas influenciam
as emoções e quando estamos ansiosos ou
com dores musculares, duas situações
diferentes que poderiam ocorrem em
ocasiões distintas, poderemos receber uma
mesma orientação médica para o uso de
benzodiazepínico, droga que promove
redução da ansiedade, em parte, por
produzir efeito de relaxamento muscular.
Neste contexto, técnicas de meditação e
relaxamento podem ser úteis para reduzir
emoções negativas já que promovem
redução da atividade simpática e
relaxamento muscular.

Um dos maiores problemas destas teorias é
que muitas vezes não se considera
inteiramente o conteúdo cognitivo das
emoções. Neste contexto, é possível que um
indivíduo rotule um cachorro que rosne e
mostre os dentes, como um animal
perigoso, mas apesar disso, não sinta
qualquer medo se o mesmo for
tecnicamente treinado para lidar com cães
perigosos. De qualquer forma, a emoção
dependeria do processamento cognitivo
que, em situações como esta, poderiam se
mostrar
mais
complexas
porém,
necessariamente dependentes da excitação
modulatória
simpato-adrenérgica
que
resulta das influencias diretas dos órgãos
sensoriais sobre os corpos mamilares
hipotalâmicos.

Referencias:
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Perception in Emotion: In Defense of an Impure Somatic Theory.
Philosophy and Phenomenological Research, 2013.

5

FAZER EXERCÍCIO FÍSICO ESTRESSADO AUMENTA O RISCO DE ACIDENTES
VASCULARES - Por Roger de Moraes
Permanecer fisicamente inativo e sentado por
várias horas durante atividades profissionais, além
de ser estressante, impossibilita a contração de
músculos que foram evolutivamente programados
e constituídos para contrair com regularidade.
Neste sentido, a inatividade física contribuir com
cerca de 3,2 milhões de óbitos anuais além de
produzir rupturas da homeostasia metabólica que
invariavelmente reduzem a sensibilidade a
insulina, aumentam a pressão arterial e provocam
dislipidemias que elevam o risco de doenças
cardiovasculares
(DCV).
Neste
contexto,
inúmeras evidencias demonstram que atividades
físicas regulares reduzem todas as causas de
morte e, especificamente, aquela provocadas por
doença DCV em indivíduos de meia-idade.
Apesar disso, poucos estudos avaliaram os efeitos
do exercício físico na prevenção da mortalidade
por DCV em idosos. Diante disso, estudo recente
publicado no Journal of the American Geriatrics
Society, demonstrou que o tempo dedicado a
atividades físicas cotidianas e de lazer, como
arrumar ou reformar a casa, passear com o
cachorro, comprar jornal em local distante e
outras atividades afins, podem ter efeito

6

semelhante ao de programas de exercício físico
sistematizados
na
redução
do
risco
cardiovascular.
De fato, informações obtidas de 2.465 homens e
mulheres, de 65 e 74 anos de idade entre 1997 a
2007 na Finlândia que registraram os hábitos de
vida, nível educacional, índice de massa corporal,
pressão arterial e níveis de colesterol destes
voluntários até o ano de 2013 indicam que, níveis
moderados de atividade física diária encontram-se
associados a menor mortalidade cardiovascular e
todas as causas de morte incluindo eventos como
AVC e ataques cardíacos.
Entretanto, apesar do treinamento físico reduzir o
risco cardiovascular, agudamente, durante a sua
execução, o risco sempre será mais elevado do
que aquele observado no repouso. Isto ocorre
devido ao aumento das exigências sobre o
músculo cardíaco (mensuradas por elevações no
duplo-produto) e também, do estresse que
promove
elevações
significativas
de
catecolaminas que, em indivíduos com risco
cardiovascular elevado, promovem aumentos da
coagulação intravascular e da pressão arterial que
podem contribuir para acidentes vasculares.

Neste
contexto,
foi
recentemente
demonstrado que o risco de ataque cardíaco
triplica quando realizamos exercício com
raiva ou alto nível de estresse. Assim, em
estudo que avaliou 12.461 pacientes de 52
países, com idade média de 58 anos,
demonstrou-se que em 13% dos indivíduos,
o gatilho para promoção do ataque cardíaco,
foi o exercício físico e em 14%, a raiva ou
resignação emocional, indicando que ambas
as situações podem induzir eventos
cardiovasculares de maneira semelhante em
indivíduos fisicamente descondicionados e/
ou com fatores de risco para doença. Em
face do exposto, a combinação de exercício
físico em condição de elevado estresse
psíquico, eleva o risco de ataque cardíaco
para quase 40% ou seja, 3x vezes mais do
que cada uma das situações isoladas.
Interessantemente, forçar animais a correr
na esteira além do que eles normalmente o
fariam com livre acesso a corrida através de
rodinha especialmente instalada em suas
gaiolas, prejudica a recuperação e contribui
para aumentar os danos provocados por
AVC. Neste contexto, outros estudos já
haviam sugerido que atividades físicas
forçadas em animais, provavelmente por
elevarem demasiadamente os níveis de
estresse e cortisol, não são capazes de
produzir os mesmos incrementos de
aumento de fator neurotrófico derivado do
cérebro
(BDNF)
no
hipocampo
frequentemente evidenciados para corrida
voluntária. Neste contexto, a eficácia de
atividades de reabilitação pós AVC que
insistem em repetições de tarefas motoras
parecem ter pouca eficácia na recuperação
motora e cognitiva do paciente sugerindo
que atividades espontâneas possam ser mais
eficazes. Por outro lado, existem evidencias
de que atividades como caminhada são
capazes de promover a recuperação
funcional mais efetiva após acidentes
vasculares cerebrais.
Nesta mesma linha de raciocínio, já foi
demonstrado que o aumento da atividade da

amigdala, região do cérebro envolvida na
resposta ao estresse, encontra-se associada
ao maior risco de doença coronariana e
AVC. De fato, estudos anteriormente
realizados com animais, já haviam
demonstrado que o estresse crônico
aumenta a atividade na medula óssea e
artérias. Outros estudos em seres humanos,
também haviam demonstrado que a
amigdala estava mais ativa em desordens de
estresse pós-traumático (PTSD), ansiedade
e depressão mas nenhum deles havia
identificado a região do cérebro que
relaciona o estresse com o risco de AVC e
doença coronariana.
Desta forma, em estudo que submeteu 293
pacientes a PET/CT scan para avaliar
eventuais alterações nas estruturas do
cérebro, medula óssea e artérias, os
acompanhando por 3,7 anos para verificar o
desenvolvimento de doença cardiovascular,
demonstrou-se
que
22
indivíduos
apresentaram eventos cardiovasculares
incluindo ataque cardíaco, angina, falência
cardíaca, AVC e doença arterial periférica.
Interessantemente, aqueles com maior
atividade da amigdala, apresentavam risco
mais elevado de doença cardiovascular e de
desenvolvimento dos problemas de forma
mais precoce do que aqueles com menor
atividade. Neste caso, o aumento da
atividade da amigdala estava associado ao
aumento da atividade da medula óssea e
inflamação das artérias, indicando aumento
do risco cardiovascular. Diante disso, os
autores sugeriram que a amigdala seja
capaz de sinalizar para aumento da síntese
de células brancas na medula óssea medula
óssea que, por sua vez, ao atuarem em
artérias
com
disfunção
endotelial,
promoveriam inflamação e formação de
placas de ateroma que, como se sabe,
podem precipitar AVC e/ou ataque
cardíaco.
Em outro estudo, pacientes com histórico de
PTSD tiveram o nível de estresse acessado
por psicólogos e foram submetidos a PET

7

scan ao mesmo tempo em que eram
identificados os níveis de proteína C
reativa. Os resultados indicaram que
aqueles com maiores níveis de estresse,
apresentavam também a maior atividade da
amigdala e sinais mais expressivos de
inflamação vascular. Tais resultados
confirmam a ideia que o estresse é capaz de
promover doença cardiovascular sugerindo
que terapias que visem reduzi-lo através de
técnicas de meditação, relaxamento, terapia
cognitiva, yoga e também, atividades físicas
de baixa intensidade, possam trazer
benefícios que vão além da percepção de
melhor qualidade de vida. De fato, nas
ultimas décadas, o aumento do estresse
psicossocial cotidiano que inclui pressão
profissional, insegurança no trabalho, vida
em locais apertados e sem oportunidades de
lazer e o convívio de obrigações, deveres e
injustiças, podem contribuir para desordens
psicológicas crônicas como depressão e
também, aumento do risco cardiovascular.
As sequelas provocadas após AVC,
modificam
a
vida
das
pessoas.
Frequentemente
incluem
paralisias,
problemas de fala, perda de memória que se
manifestam em diferentes níveis de
severidade dependendo da localização e
quantidade de tecido nervoso danificado.
Neste sentido, a recuperação de pacientes
após AVC é amplamente determinada pela
habilidade do cérebro em se reorganizar.
Recentemente, em estudo publicado na
journal Frontiers in Aging Neuroscience,
demonstrou-se em animais, que o
treinamento físico é capaz de acelerar a
recuperação
das
alterações
neurofisiologicas associadas ao AVC sugerindo
que programas de exercício físico podem
ser utilizados como abordagem terapêutica
para auxiliar na recuperação de pacientes.
Estudos anteriores já haviam demonstrado
que camundongos que cresciam em
ambiente rico em estímulos cognitivos e
sociais e com livre acesso a roda de corrida
na gaiola, retinham características de um

cérebro jovem mesmo durante a
senescência. Neste novo estudo, procurouse acessar o impacto do treinamento físico
sobre a plasticidade cerebral. Para isso, se
verificou a capacidade do cérebro de
camundongos em adaptar o processamento
da informação visual após obstrução do
olho dominante. Neste sentido, sabe-se que
a habilidade do cérebro de modificar o olho
dominante (chamada de plasticidade
dominante ocular) é dependente da idade e
observada mais pronunciadamente em
animais jovens e completamente ausente em
animais velhos que viveram sem qualquer
estimulo. Entretanto, quando camundongos
velhos eram expostos a treinamento físico,
mantinham a habilidade de trocar a
dominância ocular em comparação com
aqueles que não fizeram exercício.
Na realidade, os animais com livre acesso a
rodinha de corrida ao longo da vida, foram
capazes de manter a plasticidade cerebral de
dominância ocular mesmo apos sofrerem
AVC, indicando que o treinamento possa
prevenir a extensão dos danos da condição.
Resultados semelhantes também já foram
descritos em relação a redução dos danos
provocados no coração após infarto agudo
do miocárdio em animais previamente
submetidos a programa de exercícios
físicos.
Neste
sentido,
o
précondicionamento cardíaco induzido pelo
treinamento físico, provavelmente por
aumentar a reserva anti-oxidante e de
proteínas de choque térmico, reduz a área
de necrose e o comprometimento da função
ventricular após o infarto e contribui para
aumentar a sobrevida e as chances de
recuperação após estes acidentes.
Adicionalmente, esses estudos demonstram
que o treinamento físico pode ser utilizado
como ferramenta de reabilitação após AVC.
De fato, mesmo camundongos sem acesso
prévio a roda de corrida na gaiola,
demonstraram recuperação igualmente
positiva quando o treinamento era iniciado
após a indução do AVC. Se traduzirmos

8

estes achados para seres humanos,
programas de exercício parecem uma
maneira simples e efetiva de proteger e
reabilitar pacientes com risco ou que já
tiveram AVC.

Referências:
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Harald, Pekka Jousilahti. Leisure-Time Physical Activity Reduces
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Figueroa, Abdelrahman Ali, Yannick Kaiser, Quynh A Truong,
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function and attenuates left ventricular pump dysfunction in mice
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9

RABDOMIÓLISE INDUZIDA POR ESFORÇO: EXERCÍCIO FÍSICO PODE PROVOCAR
FALÊNCIA RENAL AGUDA ? - Por Roger de Moraes
O CrossFit ® é um programa de condicionamento
físico de alta intensidade que inclui uma
combinação de movimentos funcionais de força e
resistência muscular, levantamento olímpico e
atividades aeróbicas [1]. Nos últimos 10 anos,
paralelamente ao aumento de sua popularidade,
houveram relatos de lesões musculares incluindo
algumas que, preocupantemente, evoluiram para
rabdomiólise [1, 2].
Neste contexto, denomina-se rabdomiólise
induzida por esforço (RIE), os danos
generalizados na membrana de fibras musculares
e provocados pela contração intensa e sustentada.
Assim, durante o exercício extenuante,
principalmente naqueles aonde existe ênfase na
fase excêntrica do movimento, como atividades
de pliometria ou de corrida descendo a ladeira,
poderão existir danos na membrana de várias
fibras musculares provocados por rupturas de
sarcômeros, aumento na produção de espécies
reativas de oxigênio e elevação dos níveis
intracelulares de íons cálcio em resultado da
diminuição da razão ATP/AMP [3, 4].
De fato, encontra-se bem evidenciado que, apesar
de pequenos aumentos da concentração

10

intracelular de íons cálcio serem positivos para
acelerar a glicólise, o ciclo de Krebs e a
fosforilação oxidativa, sua elevação excessiva,
ativa proteases que provocam disfunção
mitocondrial e danos celulares. Neste sentido, a
redução dos níveis de ATP, pode comprometer a
função das bombas sódio-potássio e SERCA e
contribuir para a RIE [5-7]. Nessa linha de
raciocínio, a RIE resulta da alta extensão de danos
em grupos de fibras musculares e usualmente
encontra-se associada com o extravasamento de
conteúdo intracelular para o interstício e
circulação sistêmica [6]. Neste contexto,
frequentemente são observados aumentos dos
níveis plasmáticos de creatino cinase (CK) e
mioglobina (Mb) além de debris celulares
provenientes da membrana e de organelas que
ativam a resposta imunológica e contribuem para
inflamação.
De fato, sabe-se que a dor muscular tardia
observada entre 24-48 horas após o exercício
resulta de inflamação local cuja magnitude
diminui com o tempo e a continuidade do
treinamento. Entretanto, muitas vezes, a
quantidade de fibras lesionadas é excessiva, e a

dor muscular se sustenta por vários dias.
Nestes casos, em face aos efeitos
nefrotóxicos de moléculas como a Mb,
algumas vezes a RIE evolui para
insuficiência renal aguda (IRA). Cerca de 15
-50% das pessoas que desenvolvem
rabdomiólise, evoluem para IRA entretanto,
a maior parte tende a se recuperar
completamente
quando
o
correto
atendimento médico é fornecido [8]. Neste
sentido, a terapia de recuperação quase
sempre inclui administração intravenosa de
fluidos isotônicos, muitas vezes com
bicarbonato associado, para promover
alcalinização do sangue e aumento da
solubilidade da Mb, entretanto, nestes casos,
a volemia deverá ser constantemente
monitorada já que excessos de fluidos
também aumentam o risco de mortalidade.
O mecanismo geral da rabdomiólise envolve
lesão de fibras musculares ocasionadas por
trauma, processos isquêmicos ou exposição
a substâncias termogênicas e nefrotóxicas.
Entretanto, no caso da RIE, conforme
mencionado,
parece
associado
ao
esgotamento de ATP e elevação da
concentração intracelular de ions cálcio e
também,
a
indução
de
estado
hipermetabólico
provocado
por
hiperatividade adrenérgica associada ao
aumento da temperatura corporal, uso de
drogas
estimulantes
ou
incentivos
motivacionais externos.
Apesar da incidência de RIE ser elevada no
treinamento militar (0,2% ou 7-8 casos a
cada 10.000 militares), ela é pouco relatada
em esportes aeróbicos de longa duração
realizados em clima quente [9, 10]. Neste
sentido, 40% dos recrutas jovens e
saudáveis,
porém
destreinados,
que
ingressam
no
treinamento
militar,
apresentam aumentos significativos de CK e
Hb na primeira semana de treinamento
compatíveis com diagnóstico de RIE.
Interessantemente, várias unidades de
treinamento militar vem incorporando
atualmente, metodologias semelhante de
treinamento do CrossFit ® em sua rotina de

exercícios e a incidência de RIE também
vem aumentando nesse grupo de indivíduos
[11]. Por outro lado, estudos com
maratonistas e triatletas, demonstram que 24
horas após esforço intenso, a CK pode
aumentar entre 10-20 vezes acima dos
valores normais [10].
Neste contexto, a RIE trata-se de condição
de difícil diagnóstico, já que a elevação da
CK após exercícios intensos é um evento
relativamente comum e atinge níveis
extremamente variáveis entre indivíduos,
nem sempre estando associada ao
diagnóstico de RIE nem tampouco com sua
progressão para IRA [8]. Por outro lado, a
presença de febre, desidratação intensa,
urina escura, dor e fadiga muscular intensa,
náusea e aumento da concentração sérica de
Mb podem representar sintomas suficientes
para indicar a necessidade de internação a
fim de prevenir eventual progressão para
IRA [6].
Em face do exposto, sua baixa incidência em
atividades aeróbicas intensas, pode ser
devido à ausência de diagnóstico adequado
ou recusa em receber atendimento médico.
Mesmo assim, além do CrossFit ®, a RIE
tem sido reportada no treinamento de
spinning, montanhismo, skate de gelo e
natação e uma das características comuns é a
sustentação do esforço do exercício além do
ponto de fadiga, tipicamente quando pressão
externa é imposta por instrutores [12]. Neste
contexto, casos de RIE provocados pela
pressão externa de personal trainners, já
foram relatados na literatura [13].
Estudos mostram que a incidência de
rabdomiólise é maior em homens jovens,
fisicamente descondicionados e afrodescendentes e mais estudos precisam
investigar o impacto do somatotipo e da
elevada massa muscular no desenvolvimento
de RIE [14, 15]. Outro fator que aumenta o
risco, é ser portador de traço falciforme, uma
condição que não representa doença, mas
sim, que indica heterozigose para o gene da
hemoglobina S ou seja, trata-se de condição
benigna que o indivíduo herda de um dos

11

pais o gene para a hemoglobina A e, do
outro, o gene para a hemoglobina S da
anemia falciforme [16]. Esses indivíduos
parecem ter maior propensão ao
desenvolvimento de RIE [16].
Entre aqueles com RIE recorrente, também
devem ser investigadas a presença de
alterações genéticas que incluem as
deficiências
da
carnitina
palmitoiltransferase, da fosforilase (Doenca de
McArdle) e da AMP desaminase.
Adicionalmente, a presença de mutações do
receptor de ryanodina do tipo 1 (RYR1),
que reduz o limiar das fibras musculares
para danos no sarcolema, deve ser
considerado quando indivíduos apresentam
episódios recorrentes de RIE [6].
Vestimentos que dificultem a perda de calor
pelo corpo, como o uniforme de combate de
militares bem como drogas termogênicas
como as anfetaminas, envolvidas na
indução de estado hipermetabólico e
vasoconstrição renal e periférica, também
podem colaborar, junto com o exercício
extenuante, realizado em ambiente quente e
úmido, para o desenvolvimento da RIE
[17]. Em concordância com esta hipótese,
encontra-se o fato de que histórico de
hipertermia durante o exercício, aumenta a
predisposição para RIE e reforça a ideia de
que no treinamento militar, o índice de
estresse térmico deva ser rigorosamente
observado antes da execução de atividades
físicas intensas ao ar livre [5].
Além da IRA, a RIE também pode
contribuir para aumentos excessivos na
concentração de potássio no sangue. Neste
sentido, a combinação de IRA e
hipercalemia representa risco iminente de
arritmias, parada cardíaca e morte súbita.
Adicionalmente, poderá existir coagulação
vascular
disseminada,
distúrbios
eletrolíticos e sequestro de fluidos para o
interior das fibras musculares lesionadas em
condição que colabora para redução da
volemia e exacerba a redução do fluxo renal
[6, 18, 19].
A IRA induzida por rabdomiólise foi

inicialmente descrita na literatura, em 1940
quando foram reportadas lesões traumáticas
provocadas pelo bombardeamento de
Londres durante a segunda guerra.
Entretanto, é extremamente difícil prever se
a RIE irá evoluir para IRA. Mesmo assim,
alguns estudos indicam que a lesão renal
seja iminente quando a a CK ultrapassa
20.000 U/L [20]. Apesar disso, existem
casos de IRA induzida por RIE aonde os
aumentos da CK eram de apenas 5.000 U/L
[8, 20]. Neste contexto, tem sido sugerido
que aumentos da CK 5 vezes acima dos
limites
superiores
de
normalidade,
representem a destruição de carca de 100g
de massa muscular e seriam suficientes para
indicar o risco de RIE e IRA [7, 21, 22].
Uma vez que tem sido relatado aumentos
expressivos da produção de citocinas próinflamatórias em indivíduos que apresentam
RIE [23, 24] alguns investigadores tem
proposto que a magnitude do processo
inflamatório possa promover danos no
endotélio vascular capaz de contribuir para
redução do fluxo renal em processo que
parece predominante em indivíduos com
grande massa muscular porém, com baixo
condicionamento aeróbico. De fato, nosso
grupo do Laboratório de Investigação
Cardiovascular da Fiocruz, já demonstrou
préviamente, que animais aeróbicamente
treinados, apresentam maior reserva de
vasodilatação renal, em mecanismo
provavelmente associado a maior expressão
de apolipoproteína A-1 [25, 26] e enzimas
anti-oxidantes [27] que poderiam proteger a
circulação dos rins contra os efeitos
deletérios do estresse oxidativo [28].
Atualmente, investigações em programas de
treinamento militar, vem sendo realizadas
para melhor esclarecer os mecanismos
associados a rabdomiólise induzida por
esforço e sua eventual evolução para IRA.
Neste contexto, em certos tipos de
treinamento militar, a exposição a gases
tóxicos como o lacrimogênio e de pimento,
podem influenciar negativamente o
prognóstico da RIE.

12

Referências:
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Programs: Potential Benefits and Potential
Risks. J Spec Oper Med, 2015. 15(3): p. 108
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muscle: functional significance. J Gen
Physiol, 2013. 142(4): p. 327-45.

13

SE EXERCITAR APENAS UMA VEZ POR SEMANA É SUFICIENTE PARA REDUZIR O
RISCO DE MORTE - Por Roger de Moraes
Permanecer muito tempo sentado, aumenta o risco
de doenças crônicas, particularmente de diabetes
mellitus tipo 2(DM-2) e de doenças
cardiovasculares e alguns tipos de câncer (1, 2).
Apesar das recomendações da Organização
Mundial da Saúde (OMS) e de outros órgãos
internacionais indicarem a necessidade de se
realizar um mínimo de atividades físicas
semanais, cerca de 35,6% dos adultos no planeta
são absolutamente sedentários. Neste sentido, a
proporção de tempo gasto com a inatividade física
aumenta com a idade, sendo de 55% (7,7 horas ao
dia) entre 20-29 anos e de 67% (9,6 horas ao dia)
naqueles entre 70-79 anos.
De acordo com a OMS, a recomendação geral de
prática de exercícios físicos semanais para
manutenção da saúde metabólica e prevenção de
doenças degenerativas é de 150 minutos de
atividades realizadas em intensidade baixamoderada (55-75% da frequência cardíaca
máxima ou 2-3 na escala adaptada de Borg) ou 75
minutos realizados em intensidade moderada-alta
(75-85% da frequência cardíaca máxima ou 4-5
na escala adaptada de Borg), distribuídos por 5 ou
mesmo 7 dias da semana (3, 4).
Entretanto, em estudo publicado em janeiro de
2017 no Journal of American Medical

14

Association (JAMA), foi sugerido que concentrar
toda a recomendação de atividades e exercícios
físicos semanais em apenas uma ou duas sessões,
é capaz de promover o mesmo benefício do que
distribuir a mesma carga ao longo dos vários dias
da semana (5). A investigação foi realizada entre
1994 e 2012, com 63.591 voluntários com mais
de 40 anos e residentes na Inglaterra e Escócia.
Apesar de 9.000 deles terem morrido no período
de estudo, os investigadores demonstraram que
aqueles que alcançavam a meta semanal
distribuída ao longo dos vários dias da semana,
obtinham 35% de redução do risco de mortes
gerais em relação a indivíduos fisicamente
inativos e também reduziram em 41% o risco de
morte cardiovascular e em 21% de morte por
câncer (5). Entretanto, aqueles que concentravam
toda a recomendação de exercícios em um único
dia da semana, por exemplo, saindo para pedalar
por 2 horas e meia no domingo, reduziam o risco
de morte geral em 30%, de morte cardiovascular
em 40% e de morte por câncer em 18% ou seja,
valores quase idênticos aos obtidos por aqueles
que distribuíram a carga nos vários dias da
semana (5).
O estudo confirma o que outros já vinham
sugerindo nas últimas três décadas. Mesmo

pequenas quantidades de atividades físicas
realizadas com regularidade semanal, são
capazes de reduzir o risco de morte na
população geral. Neste sentido, o novo
estudo indica que, talvez, mais importante
do que a frequência semanal de exercícios, a
duração e a intensidade das poucas sessões
realizadas devam ser enfatizadas.
Outros estudos já haviam chegado a
conclusões semelhantes. Por exemplo, em
2013, a equipe de Hunter e colaboradores,
comparou em 72 mulheres entre 60 e 74
anos, os efeitos de 16 semanas de
treinamento físico. Os voluntários foram
randomicamente distribuídos nos grupos
A,B ou C. O grupo A consistia em realizar
apenas uma sessão semanal de exercício
aeróbico (40minutos a 80% da frequência
cardíaca máxima após progressão gradual de
8 semanas iniciando com 20 minutos a 67%
da frequência cardíaca máxima) e outra de
força (2 x 10 a 80% de 1-RM também após
progressão gradual de 8 semanas iniciando
com 60% de 1-RM na semana 1) enquanto
que o grupo B era orientado a realizar duas
sessões e o C, 3 sessões semanais de cada
tipo de treinamento (6).
Interessantemente, o grupo que realizou 2 ou
3 sessões de cada tipo de treinamento, apesar
de terem gasto mais calorias com os
exercícios, reduziram significativamente
mais a quantidade de atividades físicas
cotidianas e não associadas ao treinamento
físico e também não apresentaram benefícios
adaptativos adicionais. Os investigadores
concluíram que para esse grupo de
indivíduos, apenas uma sessão semanal de
exercício aeróbico e de força é suficiente
para promover benefícios na força,
capacidade aeróbica e também na
composição corporal (6).
Em outro estudo realizado com 250.000
norte-americanos entre 50-71 anos de idade,
demonstrou-se que realizar menos de 1 hora
semanal de atividade física moderada já
reduz em 15% o risco de morte geral e que
apenas 20 minutos por semana de atividade
vigorosa encontra-se associada com redução

de 23% desses óbitos (7). Também já se
mostrou que pessoas que caminham entre 174 minutos por semana, comparativamente
àquelas que não fazem nada, apresentam
redução do risco de morte geral em 19%
sugerindo que as recomendações gerais para
atividade física semana propostas pela OMS
e outros órgãos, possam ser exageradas e
contribuírem para desmotivar aqueles que
não gostam ou que não tem tempo para
prática regular de atividades físicas (8).
Tais resultados devem ser analisados com
profunda reflexão já que a falta de tempo é
considerada o principal fator que
impossibilita o engajamento a programas de
atividades físicas. Conforme já foi discutido,
exercícios físicos não são meios eficazes
para promoção de perda de peso corporal,
mas contribuem para regular e manter o
funcionamento vascular e metabólico em
condições
normais,
prevenindo
o
desenvolvimento de doenças cardiometabólicas
Já discutimos que a ação protetora do
treinamento aeróbico contra doenças
cardiovasculares se comporta como uma
curva em U com uma pequena dose
produzindo efeitos positivos e doses muito
elevadas produzindo efeitos negativos. No
caso específico do treinamento de corrida,
embora os limites superiores para
desencadear prejuízos ainda precisem ser
estabelecidos, alguns estudos indicam que
volumes superiores a 32Km semanais e
intensidade superior a 11,2Km/h não trazem
benefícios adicionais a saúde humana (9).
Da mesma forma, mesmo sabendo do efeito
termo-metabólico presente após exercícios
de força e de maior intensidade, e das
adaptações
mitocondriais
e
do
aprimoramento tecidual para captação e
oxidação de glicose e gorduras, programas
de exercício físico não são capazes de
promover emagrecimento corporal de forma
independente da dieta e de modificações nos
hábitos de vida.
Sabe-se que sessões de exercício
normalmente não consomem grandes

15

quantidades de energia e após o exercício
existe efeito compensatório na fome que
motiva o consumo de alimentos para repor a
quantidade de calorias perdidas (10, 11). Por
outro lado, parece existir também, conforme
mencionado anteriormente, uma redução do
nível atividades físicas cotidianas e não
associadas ao treinamento físico (12). Em
outras palavras, se o indivíduo tem hábito de
passear toda a tarde com o cachorro e visitar
a mãe depois do trabalho, quando se engaja
em um programa de exercícios pode
eliminar o passeio e a visita além de várias
outras atividades cotidianas preferindo o
conforto do sofá, uma conduta que reduz o
total de energia gasto com atividades físicas.
De fato, vários estudos comparativos têm
demonstrado nos últimos anos, que pessoas
com estilo de vida ativo possuem gastos de
energia diária similares ao de indivíduos
sedentários (13). Neste sentido, Pontzer e
colaboradores mediram o gasto de energia
diário e os níveis de atividades físicas
realizadas de mais de 300 homens e
mulheres durante uma semana. Indivíduos
que que se exercitavam em intensidade
moderada-alta, apresentavam cerca de 200
calorias de gasto adicional ao dia em relação
a sedentários, mas aqueles que se
exercitavam em intensidade baixa-moderada
não apresentavam qualquer diferença (13).
Além disso, as pessoas mais ativas
fisicamente, gastavam a mesma quantidade
de energia diária do que aquelas
moderadamente ativas, sugerindo que
realizar mais atividades físicas não significa
gastar mais calorias no dia já que o
organismo faz adaptações compensatórias no
metabolismo e no comportamento (13).
Tais estudos, devem revolucionar nosso
entendimento acerca do impacto do
treinamento físico sobre o gasto de energia
diário pois é provável que as alterações
imunológicas
e
neuro-endócrinas
provocadas pelo treinamento, busquem
alterar o processo metabólico de gasto de
energia em outros momentos do dia (14).
Entretanto, o treinamento físico é

extremamente eficiente do ponto de vista
metabólico. Estudos sugerem que cumprir as
recomendações semanais de atividades
físicas reduz em 40% o risco de
desenvolvimento de diabetes melitus tipo 2 e
que se ainda mais exercício for realizado
durante a semana, o risco para doenças
metabólicas diminui mais ainda (15). Mas
lembrem-se... existem limites para os
benefícios.

Referências:
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Type 2 Diabetes Prevention and Management. Current diabetes
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and incident type 2 diabetes mellitus: a systematic review and dose
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Diabetologia. 2016;59(12):2527-45.

16

RESVERATROL DO VINHO TEM PROPRIEDADES BENÉFICAS A SAÚDE HUMANA E
PODE MELHORAR O RENDIMENTO FÍSICO ? - Por Roger de Moraes
O resveratrol (3,5,4′-trihidroxi-trans-estilbeno) é
um composto fenólico com características
antioxidantes e antimicrobianas que o tornam uma
eficiente fitoalexina. Ele se desenvolve na
superfície de várias plantas, sendo sintetizado em
resposta a lesão ou quando as mesmas se
encontram sob ataque de patógenos como
bactérias e fungos (1).
Interessantemente, a popularidade do resveratrol
decorre de sua descoberta no vinho tinto, levando
ao desenvolvimento da hipótese do paradoxo
francês aonde, apesar do consumo mais elevado
de embutidos e gorduras saturadas, o risco de
doenças cárdio-metabólicas seria menor do que o
observado em outras populações em virtude do
hábito etilista (2).
O resveratrol é capaz de modular a resposta
inflamatória sendo considerando também, potente
agente anti-proliferativo de células cancerígenas
(3). Entretanto, seu efeito mais importante reside
sobre a ativação de sirtuínas celulares
contribuindo nesse sentido, para o aumento da
longevidade celular a semelhança do que já foi
demonstrado para os procedimentos de restrição
calórica (4, 5). Parte dos efeitos do resveratrol já

17

foram atribuídos a alteração da microbiota
intestinal porém, mais estudos se fazem
necessários para compreender esta mecanismo
(6).
O resveratrol também já foi considerado uma
substância capaz de mimetizar os efeitos do
treinamento aeróbico (7). Para verificar se ele era
capaz de produzir algum efeito adaptativo
adicional ao exercício aeróbico, em estudo
realizado por Ringholm e colaboradores, testou-se
o efeito do resveratrol na presença ou na ausência
do exercício físico (8). Os resultados
demonstraram que o treinamento aeróbico
melhorava a capacidade de resposta celular ao
estresse e tornava o metabolismo mais eficiente,
porém, quase nenhum efeito era observado com a
suplementação com resveratrol, nem mesmo
quando as duas estratégias eram combinadas (8).
A família das sirtuinas se encontra envolvida nos
processos de biogênese mitocondrial e mitofagia
desempenhando importante papel no metabolismo
energético muscular durante o exercício (9) e
neste sentido, a suplementação com resveratrol já
foi considerada conduta capaz de melhorar o
rendimento aeróbico (10-13). Entretanto, estudos

mais recentes sugerem que a suplementação
com doses clínicas de resveratrol, atenua, à
semelhança do que já foi demonstrado para
o uso de outros anti-oxidantes, os efeitos
adaptativos do treinamento aeróbico (14)
sendo igualmente incapaz de induzir
melhorias no rendimento (15).
De fato, apesar de em macacos rhesus
submetidos a dieta rica em carboidratos e
gorduras, a suplementação se mostrar eficaz
para promover a conversão de fibras do tipo
2 em fibras do tipo 1 (16), em seres
humanos, a suplementação com 150mg não
produz qualquer efeito adaptativo adicional
e ainda colabora para reduzir as adaptações
promovidas pelo treinamento HIIT (15).
Efeitos semelhantes também já foram
descritos
para
as
adaptações
cardiovasculares induzidas pelo treinamento
aeróbico que eram atenuadas com
suplementação de 250mg durante 8 semanas
(17).
Mesmo assim, outros estudos sugerem
benefícios em idosos especialmente quando
combinados com programas de atividades
físicas regulares (18). Alguns deles advogam
que mesmo as pequeníssimas quantidades de
resveratrol contidas no vinho, quando
combinadas com os efeitos do etanol,
poderiam trazer benefícios adaptativos
positivos ao organismo humano (19). Outros
investigadores por sua vez, apostam no
desenvolvimento de drogas com diferentes
concentrações de resveratrol e na
suplementação como coadjuvante no
tratamento de doenças cardiovasculares,
neuro-degenerativas e câncer (19-22).
Neste contexto, recente estudo randomizado
duplo-cego realizado com 119 portadores de
Alzheimer que ingeriram 500mg de placebo
ou resveratrol uma vez ao dia, com
incrementos de 500mg a cada 13 semanas
até completarem 2000mg na semana 52,
revelou que esse composto fenólico é
seguro, bem tolerado e capaz de reverter
alguns marcadores biológicos da doença
(23).
Em
estudo
semelhante,
a
suplementação com 1500mg de resveratrol

durante 3 meses reduziu estrogênios
ovarianos e adrenais produzidos por
mulheres com síndrome do ovário
policístico (24) sendo igualmente capaz de
reduzir a inflamação em casos de asma e
doenças pulmonares obstrutivas (25).
Apesar disso, em estudo de 10 anos
realizado com 785 indivíduos com mais de
65 anos, não se confirmou a hipótese de que
o resveratrol seria capaz de trazer benefícios
a saúde humana. De fato, os indivíduos
aonde a dieta continha as quantidades mais
elevadas de resveratrol e também
apresentavam os maiores valores de seus
metabólitos na urina, não apresentavam
melhores condições de saúde metabólica ou
cardiovascular do que aqueles que
consumiam quantidades bem menores da
substância (26).
Mesmo assim, vários estudos propõem que,
em seres humanos, seu consumo esteja
associado a prevenção de doenças cardiometabólicas (27, 28) e neuro-degenerativas
(29-31) e, portanto, melhor qualidade de
vida
ao
longo
do
processo
de
envelhecimento. Nesse sentido, a ação do
resveratrol sobre as sirtuínas já foi
demonstrada em vários tecidos e parece ser
dependente da ativação da AMPK (5, 32).
Ambas as moléculas são conhecidos
ativadores do fator de transcrição PGC-1
alfa responsável pelo processo de biogênese
e renovação mitocondrial. Entretanto,
concentrações elevadas de resveratrol
parecem capazes de ativar as sirtuinas de
forma independente da ativação da AMPK,
em mecanismos que provavelmente envolve
a inibição da enzima fosfodiesterase 4
(PDE4) mas que também pode exercer efeito
citotóxico (32).
Sabe-se que o consumo moderado de
bebidas contendo etanol (30g para homens e
15 gramas para mulheres), é capaz de trazer
benefícios a saúde cardiovascular em efeito
hormético bem conhecido. Ou seja, a
exposição a pequenas quantidades de
qualquer susbtância tóxica, promove

18

respostas
adaptativas
celulares
que
melhoram a função do organismo. Nesse
contexto, o resveratrol apresenta efeito
citotóxico documentado e sua ação positiva
sobre a saúde humana dependeria da
combinação da dose e do estado fisiológico
e fisiopatologico do indivíduo, algo ainda
difícil de ser estabelecido (1, 33).
Como não é considerado um nutriente
essencial, sua necessidade diária não é
estabelecida. Estudos animais sugerem que
cerca de 500mg de resveratrol diários seriam
necessários para promover benefícios a
saúde humana. Tal meta não pode ser
alcançada através do consumo de vinho
tinto. A maioria dos vinhos tintos contém
cerca de 12,59mg de resveratrol por litro
obrigando o consumo de 40 litros diários
para que se atinja as 500mg propostas. (3436).
Alguns estudos, entretanto, sugerem que
apenas 40mg diários já trariam algum
benefício, mas mesmo nesse caso, seria
necessário o consumo de 3 litros diários de
vinho tinto para se obter a quantidade de
500mg. Estudos mais recentes indicam que a
suplementação através de capsulas com
40mg ou 500mg ao dia durante 6 meses não
promove qualquer melhoria no perfil
inflamatório ou metabólico em 196
portadores de diabetes mellitus tipo 2 (37).
Depreende-se do exposto que as evidências
sobre os efeitos da suplementação com
resveratrol são contraditórias e que
quantidades significativas não podem ser
obtidas através do consumo de vinho tinto.
Percebe-se também, que moléculas antioxidantes parecem apresentar importante
efeito neutralizador das adaptações do
treinamento
físico,
que
parecem
parcialmente dependentes da exposição a
espécies reativas de oxigênio.
Sim. A construção do conhecimento é
muitas vezes confusa e paradoxal. Do ponto
de vista científico, não se pode saber o que é
verdadeiro, mas deve-se estabelecer aquilo
que é falso. Apesar da percepção de
fenômenos científicos dependerem da

perspectiva do observador, a subjetividade
não é uma medida da realidade e o método
científico de construção do conhecimento
continua sendo o meio mais seguro e eficaz
de se aproximar da verdade.
A próxima década deverá possibilitar um
melhor entendimento deste e de outros
fenômenos que visam melhorar a saúde das
pessoas nas sociedades modernas que, por
sua vez, se tornaram vítimas da
desinformação e do espetáculo midiático do
consumo alienado.
Referências:
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20

AS INFORMAÇÕES ACERCA DA ATIVIDADE FÍSICA REALIZADA PODEM ATRAPALHAR
O SUCESSO DE PROGRAMAS DE PERDA DE PESO: É MELHOR NÃO SABER?
Por Roger de Moraes
O uso de equipamentos de alta tecnologia permite
atualmente, a mensuração da quantidade de
passos realizados durante atividades físicas
cotidianas, assim como frequência cardíaca,
quantidade de calorias perdidas, conhecimento do
percurso realizado e das condições ambientais, e
certamente aumentam o grau informação sobre a
atividade física. Sua acurácia já foi testada e
validada e sua utilização vem sendo recomendada
para aumentar o nível de atividades físicas da
população (1).
Nesse sentido, do ponto de vista da quantidade de
passos, tem sido recomendado que crianças entre
6 e 11 anos, realizem cerca de 60 minutos de
atividade física diária voluntária e que envolva a
realização de 13.000 e 15.000 passos por dia para
meninos e 11.000 e 12.000 passos por dia para
meninas. Entre 12 e 19 anos, a recomendação se
assemelha a de adultos e compreende algo entre
10.000 a 11.000 passos para ambos os sexos
realizados entre 30-60 minutos (2).
De fato, entre adultos, apesar das variações nos
hábitos de vida que podem chegar a diferenças
entre 4.000 e 18.000 passos ao dia, normalmente
se assume que 10.000 passos seja o mínimo
necessário para manutenção da saúde metabólica.

21

Neste sentido, mesmo diante das conhecidas
limitações que programas de exercício físico tem
em colaborar para perda de peso corporal, sua
execução é indispensável para o adequado
funcionamento do metabolismo (3, 4).
Assim, pequenas modificações no estilo de vida
que incluem ir para o trabalho a pé, subir escadas,
e procurar se movimentar mais durante o dia,
podem contribuir para manutenção da integridade
metabólica do organismo. Em face do exposto,
encontra-se bem evidenciado que, quando se
reduz de 10.000 passos para menos de 1.500
passos ao dia durante apenas 3 semanas, ocorrem
diminuições significativas na sensibilidade a
insulina e aumento da quantidade de gordura
visceral mesmo que não ocorram modificações
substanciais no peso total (5).
Neste contexto, já se especulou que o uso de
pedômetros e de equipamentos com tecnologia de
GPS capazes de medir passadas e todos os
parâmetros acima mencionados, sejam eficazes
promotores da prática regular de atividades físicas
e poderiam, juntamente com dietas de restrição
calórica, colaborar para, além do controle
metabólico, impor o esperado emagrecimento
corporal (5, 6).

Entretanto, recente estudo publicado pela
importante revista JAMA (Journal of the
American Medical Association, fator de
impacto de 7,48), que acompanhou por 2
anos, 470 indivíduos com sobrepeso ou
obesidade entre 18 e 35 anos, demonstrou
que o uso destes equipamentos que
informam a quantidade de passos realizados,
calorias gastas e outros dados, podem na
realidade, comprometer o processo de
emagrecimento (7).
Neste estudo, os investigadores dividiram os
voluntários do estudo em dois grupos.
Ambos foram orientados a seguir dieta de
baixa caloria, plano de exercícios físicos e
regularmente convidados para sessões de
prática de atividades físicas em grupo e em
campo aberto. Além disso, recebiam
telefonemas semanais de orientação e
incentivo e mensagens de texto lembrando a
importância de determinadas condutas
alimentares e de prática de atividades físicas.
Após seis meses de estudos, um dos grupos
recebeu monitores digitais (Wearables) que
permaneciam preso no braço enquanto as
atividades eram realizadas. Esses aparelhos
registravam os parâmetros da atividade e
armazenavam os dados que posteriormente
eram transferidos para o computador e
integrados com o controle alimentar para
que o próprio voluntário pudesse
acompanhar sua evolução. Enquanto isso, o
outro grupo monitorava sozinho, sem o
auxílio de qualquer equipamento, a sua dieta
e atividade física, simplesmente seguindo as
mesmas orientações dos pesquisadores que
também eram fornecidas ao outro grupo (7).
O grupo que usou o equipamento, perdeu
3,5Kg ao longo dos 2 anos de estudos.
Porém o grupo que não tinha qualquer
informação a respeito da quantidade de
passos realizados ou das calorias gastas, e
que realizavam as sessões de acordo a autopercepção, perderam 5,9Kg, uma diferença
estatisticamente significativa de 2,4Kg (7).
Os autores concluíram que, no grupo de
indivíduos estudados, todos jovens e com
índice de massa corporal entre 25 e menos

que 40, o uso de equipamentos eletrônicos
para informar a respeito da dieta e do nível
de atividades físicas, resulta em menor perda
de peso ao longo de 2 anos de estudo e que
esta informação talvez não ofereça vantagem
sobre as estratégias comportamentais
individuais quando se pretende atingir
objetivos de perda de peso.
Especula-se que o conhecimento da
informação e do sucesso das recomendações
inicialmente propostas, fizesse com que o
grupo que utilizou o equipamento, se
sentisse excessivamente seguro e com isso,
comessem mais. Por outro lado, também é
possível que as informações, na realidade,
desestimulassem a prática de atividades
físicas, pois percebia-se rapidamente que a
meta proposta não seria tão facilmente
alcançada e que o gasto de caloria
dispendido com as atividades físicas
realizadas era facilmente compensado com o
consumo de alguns alimentos.
E você ? Consegue imaginar porque isso
tenha acontecido ?

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Lifestyle Intervention on Long-term Weight Loss: The IDEA
Randomized Clinical Trial. Jama. 2016;316(11):1161-71.

22

OBESO METABÓLICAMENTE SAUDÁVEL EXISTE ? - Por Roger de Moraes
A obesidade alcançou proporções epidêmicas no
planeta e afeta hoje cerca de 600 milhões de
pessoas, aumentando significativamente o risco
de morte por doenças cardiovasculares, acidente
vascular cerebral, câncer e diabetes mellitus tipo 2
(DM-2). Neste sentido, apesar da associação entre
sobrepeso e distúrbios metabólicos ser reforçada
desde 1940, evidências dos últimos 20 anos,
indicam a existência de grupo de indivíduos que
apesar de obesos, são metabolicamente saudáveis
(1).
Neste contexto, já foi proposto que a deposição de
gordura excessiva nos tecidos talvez não seja o
único fator determinante na associação entre
obesidade e resistência à insulina. De fato, até
30%
dos
obesos
são
considerados
metabolicamente saudáveis (ObMS) (1, 2). A
prevalência desta condição é mais elevada entre
mulheres, e diminui com a idade em ambos os
gêneros, representando grupo atípico que
contrasta com indivíduos que, apesar de
possuírem peso normal, apresentam alterações
metabólicas que elevam o risco cardiovascular e
de doenças do metabolismo (2).
A maior parte dos estudos define ObMS como
indivíduos com IMC superior a 30Kg/m2 sem a
presença de DM-2, hipertensão ou dislipidemia e

23

portanto, se refere exclusivamente aos fatores de
risco para doenças cardio-metabólicas excluindo o
risco de câncer, complicações ortopédicas e
respiratórias que entre outras, encontram-se
notoriamente associadas a obesidade (1).
Sabe-se que a inflamação crônica é capaz de
promover resistência à insulina e que células
adiposas podem morrer em virtude da desarmonia
entre seu crescimento e a oferta de nutrientes.
Nesta linha de raciocínio, macrófagos infiltram no
tecido adiposo e iniciam processo inflamatório
que estaria associado a resistência insulínica pela
ação deletéria exercida pelas citocinas próinflamatórias sobre os receptores e a via de
sinalização da insulina (1).
Indivíduos ObMS não apresentam infiltração de
macrófagos no tecido adiposo e aparentemente
possuem baixos níveis de inflamação sistêmica
representados por valores normais de proteína C
reativa (PCR) e níveis indetectáveis de citocinas
pró-inflamatórias como TNF-alfa e IL-6. Além
disso, parecem apresentar também, níveis mais
elevados
de
citocinas
anti-inflamatórias,
configurando quadro clínico absolutamente
distinto de obesos com síndrome metabólica
(ObSM). Este último grupo por sua vez, apresenta
elevada concentração de ácidos graxos livres no

sangue
elevando
as
chances
de
armazenamento de gordura em outros
tecidos como o musculo-esquelético e
fígado, em processo que contribui para
resistência à insulina e disfunção destes
órgãos.
Depreende-se do exposto que deveria existir
uma diferença no tecido adiposo entre os
dois grupos de indivíduos (ObMS x ObSM).
Em obesos metabolicamente alterados, o
tecido adiposo não tolera armazenar muita
gordura e pode produzir citocinas
independentemente da infiltração de
macrófagos na tentativa de reduzir a fome
do indivíduo e diminuir a sinalização de
síntese e armazenamento mediada pela
insulina. Já no grupo de obesos
metabolicamente saudáveis, o tecido adiposo
parece tolerar o armazenamento de maior
quantidade de gordura (3).
A hipótese de expansão do tecido adiposo
foi amplamente aceita na última década e
destaca a possibilidade fisiológica de
hipertrofia,
hiperplasia
e
aumento
equilibrado da vascularização que previne a
hipóxia celular (3). Falhas nesse processo
podem levar a morte celular, infiltração de
macrófagos ou, conforme mencionado,
sinalização adipócita de que sua capacidade
de armazenamento se encontra esgotada e
que se dá através da secreção de citocinas
pró-inflamatórias (1).
A incapacidade de expansão adipócita neste
contexto, já foi associada a perda das
principais funções lipogênicas e ao
surgimento de produtos tóxicos no tecido
adiposo resultando em pequena taxa de
renovação e crescimento de células na vida
adulta. Além disso, poderão existir falhas na
ativação de células tronco progenitoras para
formação de novas células adipócitas
(hiperplasia) bem como perturbação do
equilíbrio entre eventos apoptóticos e não
apoptóticos e também na angiogênese (4).
Indivíduos
ObMS
possuem
melhor
capacidade angiogênica no tecido adiposo e
melhores possibilidades de hipertrofia e
hiperplasia adipócita em relação a ObSM.

Além disso possuem menores níveis de
gordura visceral, hepática e intramuscular e
níveis
relativamente
normais
de
adiponectina, um hormônio secretado pelo
tecido adiposo e que preserva a sensibilidade
a insulina tecidual (4, 5). Neste contexto,
sabe-se que existe associação entre
distúrbios metabólicos e gordura visceral e
intra-hepática, mas o mesmo não se
reproduz em relação a gordura sub-cutânea,
indicando que o tecido adiposo seja o local
mais seguro de armazenar de forma saudável
excessos de energia na forma de gordura (5).
As diferenças metabólicas entre ObMS e
ObSM sugerem que os primeiros possuam
níveis mais elevados de atividade física
diária e alguns trabalhos recentes confirmam
esta hipótese (6). De fato, encontra-se bem
evidenciado que mesmo a atividade física
cotidiana dispendida em afazeres domésticos
e de locomoção, contribui para reduzir a
quantidade de gordura hepática e
intramuscular e melhorar a sensibilidade a
insulina promovendo alterações positivas
sobre a função mitocondrial de vários
tecidos (7, 8).
Mesmo
assim,
ainda
existem
questionamentos acerca da permanência da
condição de obesidade metabolicamente
saudável. Vários estudos indicam que este
estado seja transitório e que 2/3 desses
indivíduos
evoluam
para
síndrome
metabólica em 10 anos. De forma
semelhante, apesar do risco cardiovascular
parecer menor em relação a ObSM, ele é
maior
em
relação
a
indivíduos
metabolicamente saudáveis e com peso
normal (1).
Análises mais sensíveis de PCR revelam
também que, em relação a indivíduos
saudáveis e com peso normal, os níveis
plasmáticos deste marcador de inflamação
sistêmica, são mais elevados em ObMS e
também naqueles indivíduos com peso
normal mas com fator de risco para doença
cardio-metabólica, sugerindo a presença de
inflamação sub-clínica que pode contribuir a
longo prazo para as alterações cardio-

24

metabólicas (1).
Mais recentemente, um estudo publicado na
revista Cell Reports, sugere que a
denominação “obesos metabolicamente
saudáveis” seja um equívoco (9). Análises
do
tecido
adiposo
de
obesos
metabolicamente saudáveis e obesos com
síndrome metabólica, revelam que ambos
são idênticos em relação a expressão
anormal de genes e resposta a estimulação
insulínica sugerindo que o combate a
obesidade deva abranger todos os grupos de
indivíduos com o problema (9).
De fato, tanto obesos metabolicamente
saudáveis como aqueles resistentes a
insulina apresentam expressão anormal de
genes que não são influenciados pela relação
cintura-quadril, frequência cardíaca ou
pressão arterial, indicando que a obesidade
independentemente seja capaz de aumentar o
risco cardio-metabólico (9).
Mesmo assim, ainda é preciso investigar
diferenças na expressão de genes em outros
órgãos. De qualquer forma, o elo perdido
parece ser mais uma vez a atividade física.
Conforme
discutiremos
em
outras
publicações, atividades e exercícios físicos
podem não ser capazes de, isoladamente,
reduzir o peso corporal de forma eficiente na
maioria da população, mas parece
indispensável para manutenção das funções
normais do metabolismo e do sistema
cardio-circulatório humano (8).

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25

Para que serve?

Nomes importantes da
Ciencia

Variabilidade da Frequência Cardíaca (VFC)
O sistema nervoso autônomo (SNA) desempenha um papel
importante na regulação dos processos fisiológicos do
organismo humano tanto em condições normais quanto
patológicas. Dentre as técnicas utilizadas para sua avaliação,
a variabilidade da frequência cardíaca (VFC) tem emergido
como uma medida simples e não-invasiva dos impulsos
autonômicos, representando um dos mais promissores
marcadores quantitativos do balanço autonômico. A VFC
descreve as oscilações no intervalo entre batimentos
cardíacos consecutivos (intervalos R-R), assim como
oscilações
entre
frequências
cardíacas
instantâneas
consecutivas. Trata-se de uma medida que pode ser utilizada
para avaliar a modulação do SNA sob condições fisiológicas,
tais como em situações de vigília e sono, diferentes posições
do corpo, treinamento físico, e também em condições
patológicas. Mudanças nos padrões da VFC fornecem um
indicador sensível e antecipado de comprometimentos na
saúde. Uma alta variabilidade na frequência cardíaca é sinal
de boa adaptação, caracterizando um indivíduo saudável, com
mecanismos autonômicos eficientes, enquanto que, baixa
variabilidade é frequentemente um indicador de adaptação
anormal e insuficiente do SNA, implicando a presença de mau
funcionamento fisiológico no indivíduo .
FONTE:VANDERLEI, Luiz Carlos Marques et al. Noções básicas de variabilidade da frequência cardíaca e sua
aplicabilidade clínica. Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, [s.l.], v. 24, n. 2, p.205-217, jun. 2009. FapUNIFESP (SciELO).
http://dorg/10.1590/s0102-76382009000200018. x.doi.

26

O biologista e naturalista Charles
Darwin nasceu na Inglaterra e
viveu de 1809 a 1882. Durante
um período de cinco anos, ele
colaborou
com
pesquisas
realizadas nas costas e em ilhas
da América do Sul, Austrália e
Nova Zelândia.
Durante os cinco anos que ele
permaneceu
nessa
viagem
científica, e também depois, o
naturalista buscou descobrir a
razão da grande diversidade de
plantas e animais.
No ano de 1859, na certeza de
ter a encontrado a resposta aos
seus
questionamentos,
ele
escreveu o livro: A Origem das
Espécies. Posteriormente, Darwin
escreveu
outra
obra:
A
Descendência do Homem. Nesta,
ele manifestou suas ideias sobre
o surgimento da raça humana no
planeta Terra. Seus dois livros
geraram debates e muitas
controvérsias na época, contudo,
hoje em dia, muitas de suas
ideias são aceitas pela ciência.

FONTE:
http://www.suapesquisa.com/biografias/
darwin.htm

ATIVIDADES DO LABORATORIO
Comparação entre treinamento HIIT e contínuo sobre o perfil glicêmico de mulheres na
pré-menopausa / menopausa.
Através da iniciativa do aluno do curso de Educação Física Rafael, o Professor Dr. Roger de
Moraes, com o apoio da Equipe de pesquisa do LaIBFEx, esta coordenando um estudo que
pretendo efetuar uma comparação dos efeitos do treinamento HIIT e do treinamento continuo
sobre o perfil glicêmico de mulheres que estão na pré-menopausa/ menopausa.
Nessa primeira fase, realizada nas dependências da academia Fórmula do Nova américa, foram
efetuados testes antropométricos, mensuração de gordura corporal através de bioimpedância,
teste de Variabilidade de Frequência Cardíaca e levantamento de curva glicêmica de cinco
pontos em cada uma das 22 voluntárias do estudo. Adicionalmente, foi realizada uma palestra
pelo Professor Roger em conjunto com a Nutricionista Beatriz Serpa de Moraes, abordando
fatores relevantes na construção de uma dieta saudável, e uma posterior mesa redonda, no intuito
de esclarecer as dúvidas dos participantes em relação ao estudo.

Análise da modulação autonômica sobre a variabilidade cardíaca de indivíduos
praticantes de yoga.
Os alunos Aluízio Barros e Paulo roberto estão conduzindo um estudo piloto que tem como
objetivo verificar a existência de variações na modulação autonômica do SNC sobre a
variabilidade cardíaca de indivíduos praticantes de Yoga.
Voluntários praticantes da atividade citada, que desejam ser voluntários para participação no
estudo, deverão entrar em contato através dos telefones 21 96988-6056 (Aluízio) ou
21 98181-7665 (Paulo).

27

Seminarios LaIBFEx
Laboratório de Investigação em
Bioquímica e Fisiologia do
Exercício
O Laboratório de Investigação em
Bioquímica e Fisiologia do Exercício
(LAIBFEX) foi idealizado pelo
Professor Roger de Moraes e
inaugurado em janeiro de 2015 com
o apoio da Coordenação de Saúde da
Universidade
Estácio
de

(UNESA), dos gestores do Campus
Joãos Uchoa e da Coordenação do
Curso de Educação Física desta
instituição. Atualmente o LAIBFEX
é coordenado pelo Professor Roger
de Moraes que possui Doutorado em
Ciências e Pós-Doutorado em
Fisiologia do Exercício pela
Fundação
Oswaldo
Cruz
(FIOCRUZ), e desenvolve linhas de
pesquisa que incluem a investigação
dos efeitos do exercício físico e da
suplementação alimentar sobre as
respostas vasculares, autonômicas e
rendimento físico e as influências de
diferentes metodologias de ensino e
de treinamento físico sobre o
aprendizado e o rendimento motor
em jovens saudáveis e/ou portadores
de doenças intelectuais.

Os seminários do LaIBFEx continuam sendo realizados
todas sextas-feiras às 18h10, na sala E-301. Os
seminários têm duração de 30 minutos, onde alunos e
professores convidados apresentam temas relacionados a
bioquímica e fisiologia do exercício e resultados dos projetos de pesquisa realizados, sendo a participação indicada
aos alunos dos cursos da área de saúde do campus João
Uchoa, em especial Educação Física, Nutrição, Enfermagem, Psicologia, Medicina, Farmácia e Fisioterapia.

Monitoria
O aluno Gabriel Wendos esta responsavel pela monitoria
da disciplina de Fisiologia do Exercício nesse semestre.
Os alunos que necessitarem de ajuda com a disciplina
poderao entrar em contato atraves do e-mail
gabriel_wendos@hotmail.com ou telefone 21 980691519.

Filosofia
“A ciência serve para nos
dar uma ideia de quão
extensa
é
a
nossa
ignorância”.
Félicité Robert
de Lamennais

Laboratorio de Investigaçao em Bioquímica e Fisiologia do Exercício
Contatos
Pag: https://www.facebook.com/laibfex.unesa/
Celular: (21) 97937-0567 - Sup. Anderson
E-mail: laboratorioemacao@outlook.com
Editor: Gabriel Wendos

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