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política

Populismo, sintoma da

DEMOCRACIA
O POPULISMO ESTÁ EM ASCENSÃO, MAS SUA COMPREENSÃO, MESMO ENTRE OS
ESTUDIOSOS, NEM SEMPRE FOI CLARA. A ATUALIZAÇÃO DO CONCEITO SERÁ DISCUTIDA
EM UM SIMPÓSIO A SER REALIZADO A PARTIR DE SEGUNDA-FEIRA EM PELOTAS
DANIEL DE MENDONÇA
Doutor em Ciência Política, professor associado da UFPel

P

opulismo é um dos
termos mais malditos e
mal compreendidos do
vocabulário político.
Maldito, pois está frequentemente
associado à demagogia, ao engano
dos reais interesses do povo. Mal
compreendido, uma vez que sua
história conceitual, principalmente
no século 20, tem sido uma sucessão
de formulações que, em sua maioria,
foram incapazes de fornecer uma
compreensão mais abrangente
ao termo. O populismo e seus
impasses com a democracia serão
debatidos, na Universidade Federal
de Pelotas (UFPel), entre segunda
e quarta-feira, no III Simpósio
Pós-Estruturalismo e Teoria Social:
Populismos e Democracias.
Análises mais recentes
têm, felizmente, avançado no
entendimento do fenômeno.
Diferentemente dos primeiros
estudos que buscaram, de forma
infrutífera, elencar características
específicas do populismo, novas
pesquisas encontraram o seu
núcleo duro. Esse núcleo pode ser
resumido na asserção de que o
populismo consiste na construção
política e antagônica de um povo
contra seus inimigos. Dito de outra
forma, o populismo surge como
uma resposta antissistêmica a um
regime político, mobilizando
parte da sociedade, o povo,
contra uma elite que nega o
atendimento de suas demandas.
Com o revigoramento dos
estudos, a partir da década de
1990, percebe-se que o fenômeno
– antes associado a regimes não
democráticos ou a democracias
emergentes – tem ocorrência

também em democracias
consolidadas. Recentemente, a
Europa continental tem conhecido
diversas experiências populistas,
como na França, Áustria, Suécia,
entre outros países. No entanto,
é a partir do Brexit e da eleição
de Donald Trump que se acende
a “luz amarela” sobre o perigo
do populismo em relação às
democracias maduras.
O ponto central desses estudos
está relacionado à seguinte
questão: será o populismo um
perigo à democracia ou uma
possibilidade de seu avanço?
Essa é uma pergunta de difícil
resposta, uma vez que experiências
apontam que o populismo pode
ser perigoso, mas também pode
impulsionar a democracia. Isso
é assim, pois se, por um lado, os
populistas forçam os limites das
instituições, ameaçando estruturas
de poder, por outro, mobilizam
politicamente os cidadãos, dando
voz às “maiorias silenciosas”,
tornando a política mais vibrante.
O ponto central na tensão entre
populismo e democracia liberal
está no fato de que o primeiro
mobiliza politicamente indivíduos
normalmente apáticos. As
democracias são cada vez menos
responsivas e mais distantes
dos cidadãos. As elites políticas,
associadas às econômicas, são
insensíveis às demandas populares.
As regras e o funcionamento das
instituições são complicados e
inacessíveis ao cidadão comum.
Em contraposição, os populistas
prometem descomplicar a vida
das pessoas, dar respostas simples
ao cidadão e, acima de tudo, fazer

a sua vontade. Numa palavra:
os populistas reivindicam-se os
verdadeiros intérpretes do povo.
Contudo, é importante
compreender o que significa
a reivindicação de serem os
populistas representantes do povo.
É nesse momento que o conceito
acima mostra a sua utilidade.
Na ideia de que o populismo é uma
construção política, “construção”
é o termo-chave. Quer dizer que,
no populismo, o povo não deve
ser percebido como o conjunto de
todos os cidadãos. Antes, o povo é
uma construção política: uma parte
desses cidadãos que, mobilizada,
reivindica para si o papel de
representar toda a sociedade.
Vejamos que tal
representação nunca é neutra,
mas ideologicamente informada.
Assim, as experiências populistas
podem ser de esquerda ou de
direita, inclusivas ou excludentes.
Nesse sentido, o povo pode
representar um amplo espectro da
sociedade, a partir da mobilização
dos mais pobres, mas também pode
ser uma classe média ressentida
com a perda de privilégios e que,
por isso, articula a exclusão dos
responsáveis por essa perda.
Portanto, o populismo não é
em si bom ou ruim à democracia.
Talvez seja preferível considerálo um sintoma de sua saúde.
Dificilmente ele aparece quando
a democracia é responsiva ao
povo. Quando ela está saudável,
populistas são postos à margem.
Porém, o estado atual das
democracias existentes
sugere que o sintoma está
longe de desaparecer.

O POPULISMO
NÃO É EM
SI BOM
OU RUIM À
DEMOCRACIA.
TALVEZ SEJA
PREFERÍVEL
CONSIDERÁ-LO
UM SINTOMA
DE SUA
SAÚDE.

O EVENTO
III Simpósio Pós-Estruturalismo
e Teoria Social: Populismos e
Democracias
Entre segunda e quarta-feira, na
Universidade Federal de Pelotas (UFPel).
Com apresentações de pesquisas
acadêmicas, grupos de trabalho,
mesas-redondas com professores
brasileiros e uma conferência com
Gerardo Aboy Carlés, da Universidad
Nacional San Martín (Argentina).
Outras informações em
wp.ufpel.edu.br/legadolaclau/pt/.

ZERO HORA | SÁBADO E DOMINGO | 25 E 26 DE MAIO DE 2019

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